Biografia

Jesper Hedegaard – pianista, compositor e produtor fez mais de 1.800 concertos no Brasil.

Residiu no Brasil nos anos oitenta e noventa apresentando-se em lugares como Teatro Castro Alves, Teatro Vila Velha, Espaço Cultural da Telebahia e Instituto Cultural ICBA, em Salvador. Ainda na Bahia desenvolveu um trabalho musical, durante 10 anos, com o baixista Ivan Bastos  e ganhou, em 1987, o Troféu Caymmi com seu Grupo Asas.

Na Dinamarca dirigiu seu grupo New Brazilian Quartet por mais de 10 anos, e fez shows em Copenhague em casas conhecidas como Jazzhouse, Montmartre, Musikcafé e Vega. Também fez shows na Alemanha, Noruega, Suécia e nos Estados Unidos. Entre os músicos dinamarqueses com quem ele tocou constam Niclas Campagnol (bateria), Morten Arø (bateria), Simon Thorsen (flauta, sax), Niels Neergaard (trombone), Niels Lichtenberg (baixo), Bo Stief (baixo) e Morten Ankarfedt (baixo).

Desde 2010, Jesper Hededgaard Trio fez shows no Brasil em locais como TribOz, Godofredo, Santo Cenário, Centro Municipal de Referência da Música Carioca, Beco das Garrafas, Jazz B, Jazz nos Fundos, Núcelo Contemporâneo, Ao Vivo Music, e na Dinamarca no Giant Steps, Lyngby Jazzklub, Jazzselskabet i Aarhus, Paradise Jazz, Hornbæk Jazzklub, Værket i Randers, Kulturhuset Islands Brygge, Tranquebar, Copenhagen Jazzfestival 2015 e outros.

Entre 2013 e 2018 realizou seis turnês na Dinamarca com Sidiel Viera – baixo, Fernando Pereira – bateria, Dudu Penz – baixo, Renato Endrigo – bateria, Thaís Motta – voz,  Ramon Montagner – bateria e Celso de Almeida – bateria.

Tocou com diversos músicos instrumentistas, como Renato Endrigo (bateria), Rafael Barata (bateria), Robertinho Silva (bateria), Fernando Pinto Pereira (bateria), Magno Bissoli (bateria), Wagner Chuim (baixo), Luiz Carlos de Siqueira (bateria), Afonso Corrêa (bateria), André Limão Queiroz (bateria), Paulinho Trompete (flygelhorn), Mauro Senise (flauta, sax), Proveta (sax), Alexander Kraglund (violino, gaita), Simon Spang-Hanssem (sax, flauta), Celso Mendes (guitarra), Dudu Penz (baixo), Sidiel Vieira (baixo), Sizão Machado (baixo), Enéias Xavier (contrabaixo), Dodo Ferreira (baixo), Guto Wirtti (baixo), Sergio Barroso (baixo) e Jorge Degas (baixo), além de acompanhar vocalistas como Miúcha e Zezé Motta.

Minha história
Primeira vez que ouvi música brasileira em 1971 eu me arrepiei, e fiquei totalmente apaixonado. Aí começou minha busca de alcançar a arte da música brasileira. Fui ao Brasil pela primeira vez em 1975 para fazer pesquisa e adquirir material de estudos sobre música brasileira. Senti-me absolutamente em casa. Em 1976 viajei a Paris para assistir Tânia Maria. Pouco eu sabia que o encontro com Chuim mudaria minha vida.

Conheci Chuim em Paris em 1976 quando ele estava tocando com Tânia Maria na casa chamada Le Bilboquet. Fui a Paris junto com um grupo de amigos, na época músicos semiprofissionais, por iniciativa do nosso professor de música Bernhard Christensen, com o objetivo de ouvir música brasileira, especificamente Tânia Maria.

Fiz amizade com Chuim e quando eu estava por regressar a Dinamarca depois de três semanas, ele me fez uma proposta que mudou a minha vida para sempre. Ele me falou que tinha um grupo chamado Boa Nova e ele queria que eu vendesse o grupo na Dinamarca. Pedi que ele me mandasse fotos, release e demo. Os músicos eram Paulinho Trompete – flugelhorn, Pascal Jamgotchian – sax e flauta, Mozar Terra – piano, Manasses de Sousa – cavaquinho, Alfredo Nascimento – violão, Ricardo Santos – contrabaixo e Luiz Chuim de Siqueira – bateria. Depois entendi que eles estavam entre os melhores músicos do Brasil.

Eu entrei em contato com Det Danske Jazzcenter (Centro dinamarquês de Jazz) onde deram-me uma lista de todos os clubes de Jazz na Dinamarca. Consegui fechar 21 trabalhos durante três meses por toda Dinamarca mais programa na Rádio e Televisão dinamarquesa. Boa Nova tinha base na casa da minha família onde ensaiavam. Para o Boa Nova eu era produtor, contrarregra, técnico de som (quando precisava), motorista e banco.

O Boa Nova simplesmente abriu uma porta larga para o conhecimento profundo sobre a música brasileira. Mozar Terra me deu aulas de piano e me ensinou Bossa Novas como Desafinado e Wave, o que resultou em um interesse especial em Antônio Carlos Jobim. Chuim, que ficou vivendo na Dinamarca, passou anos, me dando uma visão sobre a história da música brasileira nas reuniões semanais. O Boa Nova representou informação de primeira mão sobre MIB (Música Instrumental Brasileira), que na época não era acessível de outra fonte.

Em 1977 eu formei o grupo Ritmo Caliente com Chuim, Chico Navarro e Jacob Andersen. Foi um grande sucesso e 15 anos depois eu li na revista de música MM Ritmo Caliente mencionado como a primeira banda de salsa na Dinamarca, num artigo de Ib Skovgaard.

Em 1979, eu arrumei a mala e me mandei para o Brasil com US $ 1.000 no bolso – desta vez sozinho – sem saber quanto tempo e onde o destino me levaria.

Passei 4 meses no Rio onde fiz amizade com Fernando Costa (piano) e Deli Alves (vocal). Depois fui para São Paulo e passei um tempo com amigos músicos de Chuim, introduzido por uma carta sua em mãos. Eu comecei a tocar com vários músicos, incluindo Guedes, Sizão Machado e Roni. Devo admitir que eu ainda estava muito verde e foi um grande desafio.

Aluguei um quarto de uma amiga que vivia na Pompeia. Regina, como era chamada, me contou muitas vezes sobre sua viagem para a Bahia, e ela disse tantas vezes, que eu deveria ir para Salvador que acabei viajando os 2500 km de ônibus. Uma semana depois da minha chegada eu tinha emprego fixo num hotel de 5 estrelas e uma namorada que morava ao lado da Dona Canô em Santo Amaro da Purificação. Eu fiquei na Bahia por 10 anos.